segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Cap.5

Correu os olhos pelo destinatário e se esforçou para lembrar quem era “isaquenogueira”. Abriu a mensagem e de imediato lembrou de seu amigo de infância:

Oi Paulinha!!! Ou deveria dizer Paulita marmita? A garota riu de seu apelido de infância que ela tanto odiava.
Estou escrevendo e desta vez não é para te mandar aqueles famosos e-mails com piadinhas ou propagandas.
Realmente, quando o rapaz lhe mandava e-mails não eram muito interessantes. Continuou a ler:

Como você está? O que anda fazendo? Eu tenho uma novidade!!!! Estou voltando para Alvorada final do ano!!! Meu pai vai voltar a pastoriar aí!!!! Você ajuda a me inturmar? Nossa... faz tanto tempo que saí daí que a única pessoa que ainda tenho contato é você! Acredito inclusive que vamos estudar juntos ano que vem.

Isaque era filho de um pastor amigo de seu pai.Cresceram juntos mas se mudou com o pai aos 9 anos.

Chego em Dezembro, ou seja, daqui 4 meses. Me ajuda? Beijos menina!!!

Paula ficou feliz. Gostava demais daquele amigo! Perdera o contato, mas seria bom te-lo por perto já que não tinha muitos amigos.
Correu para sala e contou a novidade ao pai.
Alguns dias depois Paula voltava à escola. Viu de longe sua colega de sala chegando. Mel não era bem uma amiga, uma confidente, era uma parceira de trabalhos, de provas.
_Oi Paula, como você está?
_ To bem e você? Como foi de férias?
_ Ah.. mesma coisa, acredita que não sai de casa? E Você?
_Fui para o casamento da minha irmã em Ribeirãozinho.
_Ahh... verdade, você comentou.
Entraram em silêncio.
Paula não estava nem um pouco animada para as aulas do dia.
Enquanto via todo mundo se cumprimentando com euforia deitou na carteira desejando estar em sua cama.
Mel virou-se:
_Ei... como foi com o Flávio?
_Quem?
_Seu namorado de Ribeirãozinho.
_Ahh... Fábio... ele não é meu namorado.
_Não?
_Não... estamos conversando, nos conhecendo...
_Que ânimo é esse?
_ Ah... vamos ver o que vai dar essa história...
Paula ficou com a consciência pesada, não gostaria que Fábio falasse assim dela.
Chegou da aula e Teca preparava o almoço. Deu um beijo na senhora e foi para seu quarto tirar um cochilo. Quando acordou, lembrou-se que ainda não havia respondido Isaque. Ligou o computador mas a fome fez com que ela corresse para a cozinha saborear as delícias de Teca.
Depois do almoço, com a barriga cheia, respondeu o rapaz:

Isaque tatu bolinha!!! A garota se vingou falando o apelido dele.
Lembra que te chamavamos assim porque você amava jogar bola no campinho de barro e voltava com terra até nos cabelos?
Eee... infância boa...
Mas que notícia maravilhosa você me deu!!!! Poxa... claro que te ajudo... para falar a verdade não tenho muitos amigos na escola, porque é escola nova. Estou estudando no Albert Eistein porque comecei o segundo grau e meu pai queria que eu fosse para uma escola particular. Os nossos amigos de infância continuam no Monsenhor Vieira, nossa velha escola, mas perdi o contato com eles.
Vou te esperar hein, vai ser muito bom te ter como amigo novamente.

Quando a garota tinha acabado de enviar o e-mail o telefone tocou:
_ Alô.
_Paula?
_Sim... quem é?
_ Helô!!!
_Amigaaa... que bom que você ligou.
_Está com saudade né?
_Pior que estou... ai...hoje começou a aula, queria que você morasse aqui.
_As minhas também começaram hoje!!! Por isso que te liguei, mas vou ter que falar rápido porque esse hórario é carissima a ligação.
_Ahan... conta...
_Ai menina, lembra do César que te falei?
_Ih... não to lembrando...
_Acho que nem te falei dele... mas é porque não tinha chance nenhuma... bom achei que não tinha, mas hoje eu cheguei na escola e esbarramos um no outro. Nossos cadernos caíram e abaixamos para pegar igual cena de filme.
Paula tentava raciocinar rápido tentando imaginar.
_Então levantamos e ele passou a mão nos meus cabelos e falou “você cortou?” E eu: Sim... E ele: nossa e eu que não imaginava que você pudesse ficar mais bonita...estava errado...
_ Uau...
_Eu quase morri amiga, juro que fiquei parada no lugar e só fui recuperar meu fôlego quando bateu o sinal. Ele é o ruivinho mais lindo do mundo. Ainda estou sonhando com aquelas sardas fofas.
_ Que legal amiga, ele é da sua sala?
A garota não respondeu, parecia estar brigando com alguém.
_Paula depois nos falamos o Fábio está me enchendo, fala com ele:
_ Oi menina!!
_ Ah... oi...
_ Ligou para a Helô e nem me chamou?
_ Ah.. não, foi ela que me ligou...
_Hum.. to com saudade sabia...
Paula torceu para ele não perguntar se ela sentia o mesmo.
_ Ah Paulinha... tenho uma novidade, mas é surpresa...
_Poxa... conta vai...
_ Tá, eu não ia aguentar sem contar mesmo... Tô vendo um carro para comprar.
_ Nossa Fábio, que legal!
_ Tem sido um pouco ruim ir todo dia para faculdade de ônibus ou a pé, então vou comprar um pra mim.
_Parabéns! Fiquei feliz em saber.
_ Aí vou te ver, pelo menos uma vez a cada dois meses e levar a chata da Heloisa que já está falando que vai junto.
Paula gostou da idéia.
Desligaram e ela voltou ao computador.
Isaque já havia respondido. Agora enchia-a de perguntas.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Cap.4

Uma semana depois Paula organizava sua mala para retornar a sua casa.
Marina voltara de lua-de-mel mas a garota só viu a irmã numa rápida visita que fez a seu apartamento.
Agora em seu quarto Paula conversava com sua amiga:
_Porque quando estamos voltando de uma viagem a mala parece que encolheu?
Heloisa riu.
_Verdade, deve ser porque quando estamos indo viajar está tudo muito organizado, dobrado...
Paula olhou a bagunça de sua mala, com roupas amassadas e deu risada.
_ Poxa... ainda não acredito que você vai embora. Não acredito!
As duas haviam se tornado grandes amigas. Em menos de dez dias de amizade pareciam ser amigas de infância.
_ Ah... para, pra que serve internet? Vamos nos falar todo dia.
_Não é a mesma coisa... não vamos poder sair juntas, dar risadas...
_ É verdade, mas você pode fazer isso com suas amigas aqui, sei que vai me esquecer rapidamente.
_Para de ser boba, você sabe que não tenho muitas amigas. As meninas da escola são todas umas chatas, todas patricinhas, cheias de frescura.
_ Tadinhas... é fácil você fazer amizade com elas, é só chama-las para jogar bola com você.
Heloisa riu:
_Ah ta... elas vao ficar morrendo de medo de quebrar a unha.
E era verdade, enquanto a garota era toda desenibida, atleta, as colegas de sala eram muito preocupadas com a beleza.
_Vai, me ajuda aqui. Senta em cima da mala que eu fecho o ziper.
Essa manobra fez com que as duas dessem muitas risadas.
_Ahh... menina.... ia quase me esquecendo... o Fábio ia me matar!
_ O que?
Heloisa tirou da bolsa um pequeno embrulho.
_ Ele te mandou.
Paula abriu rapidamente e tirou um pequeno chaveiro de ursinho que tinha no peito. “Dios te bendiga.”
_ Que fofo!
Ela pegou e colocou no ziper da mala.
Depois da última briga os dois sairam mais duas vezes. A primeira ficaram um bom tempo em silêncio, mas logo conseguiram estabelecer um bom papo.
A segunda vez conversaram bastante e até conseguiram dar risadas de piadinhas e brincadeiras bobas. O rapaz não estava com a agressividade e o mal humor que assustavam Paula.
_E aí, vai sentir falta do meu irmão?
Paula sabia que sentiria mais falta da amiga do que do rapaz, mas ficou com receio de falar isso pois afinal, ela era irmã dele.
_Ihh.... pela demora na resposta não tá nem ai pra ele.. Pode falar, não é porque ele é meu irmão que você tem que me esconder as coisas.
Às vezes parecia que a garota podia ler a mente da outra.
_ Ah Helô, vou sentir saudade, mas não falta. Não ficamos grudados aqui, não vi ele todo dia, então acredito que não vou sentir muito não.
_Ahan, entendo, mas acho que ele está mais na sua do que você na dele.
_ É que quando eu era mais nova, não via a hora de namorar, agora que posso, e até tenho a pessoa, não sei se quero, talvez seja melhor esperar...
_ E o que você vai fazer?
_Orar.
Bateram na porta.
_Oi... pode entrar.
_Filha... Oi Heloisa tudo bem?
_Oi tudo!
_Filha, se apressa aí que vamos para o aeroporto em uma hora.
_Ok pai... está quase tudo pronto.
O pai saiu e ela terminou a arrumação.
_ Que horas você chega lá?
_Ah... de avião, em duas horas estamos lá. Eu fiquei traumatizada com aquela viagem que fiz de ônibus. Hoje pra mim é muito dificil entrar em um.
As amigas se abraçaram e se despediram.
_Ah... vamos lá no aeroporto.
_Num dá amiga, eu choro..
Deram risadas, e Paula e o pai partiram.
No aeroporto se encontraram com Daniel e Marina.
_Paizinho. Como queria que o senhor morasse aqui.
O pai tocou o rosto de Marina e olhou por um bom tempo como se tirasse uma fotografia com os olhos. Depois abraçou-a fortemente e dirigiu-se a Daniel:
_Cuida da minha filhinha.
_Cuido sim!
Se abraçaram.
_Filhinha pai? Mas já sou uma mulher casada.
_ Ahh... mas pra mim vocês todas serão sempre minhas filhinhas. Você vai ver quando tiver seus filhos.
Daniel e Marina deram risada.
_Falando nisso, nao demorem hein, estou doido para ter um neto homem.
_ Ahhh paizinho, pode tomar chazinho de paciência, eu o Daniel queremos ao menos terminar a faculdade, e eu quero fazer a residência... então, no mínimo três anos pela frente.
_Eu sei querida... papai está só brincando.
Marina sabia que as brincadeiras do pai tinha sempre um fundo de verdade.
As irmãs se abraçaram.
_Pai, deixa a Paula vir pra cá final do ano passar as férias comigo.
_Você acha que eu tenho uma piscina de dinheiro?
Riram.
_ Ah pai... eu junto dinheiro!!!
_Você quer dizer o meu dinheiro né Paula?
_Falando nisso, passou da hora da senhorita arrumar um emprego hein.
Marina deu a sugestão.
_Então vamos fazer assim, quando chegar em Alvorada vou atrás de um emprego, se eu conseguir e juntar dinheiro venho pra cá, pode ser? Pode paizinho?
_Vou pensar...
Pegaram as bagagens e partiram.
Duas horas e quinze minutos depois estavam descendo do avião já na cidade de Alvorada.
Paula estava com um pouco de dor de cabeça por causa da viagem.
Chegaram em sua casa e a garota correu para o quarto, queria dormir um pouco.
Quando acordou estava bem melhor. Olhou pela janela e já escurecia. Encarou a mala mas resolveu desfaze-la só no outro dia. Pegou em cima da cômoda um calendário.
_Poxa só mais quatro dias.
Era o que lhe restava de férias.
_Filha vem cá.
O Pai estava na cozinha com seu avental.
_Vou fazer um lanchinho para nós? Tá com fome?
_Só um pouco. A Teca volta quando?
_Amanhã.
Teca cuidava da casa. Era mais que uma diarista, era como se fosse uma vozinha que cuidava da casa desde que eram pequenas. Quando ela não estava o pai inventava lanches mirabolantes.
Paula tomou rápido banho e devorou o sanduiche de peito de peru.
Já com seu pijama se dirigiu para o pequeno escritório e ligou o computador. Quase 10 dias sem abri-lo viu que seu e-mail tinha muitas mensagens. Apagou as propagandas, leu os 2 emails de Fábio dizendo que estava com saudade. Heloisa também tinha lhe escrito. Quando se preparava para apagar mais uns, reparou numa mensagem antiga, que não havia sido lida.