quinta-feira, 22 de julho de 2010

Cap.3

Cap. 3
A tarde com sua quase cunhada foi muito agradável. O mesmo não aconteceu com a conversa com Fábio no telefone.
Ele reclamou da ausência da garota.
_Você não tem razão no que diz! Foram dias em que eu tinha um monte de coisa pra fazer, eu não estava a toa.
_Eu sei Paula, mas eu queria conversar contigo, esperei muito por isso, é tão melhor te ver pessoalmente e não pela tela do computador.
Paula ficou em silêncio.
_ Mas vamos parar com essa discussão! O que acha de sairmos para comer um lanche?
_Ai Fábio... acho que não vai dar. Saí a tarde toda, meu pai não vai deixar eu sair de novo. Ah... inclusive conheci sua irmã.
O rapaz não esboçou grandes reações.
_ Legal. Bom, vou desligar, já que você não quer sair comigo, vou sair pra comer com algum amigo.
_Não é que não quero, não posso!
_Tchau.
E Fábio desligou. Paula sentiu a sua face avermelhar-se. Ficou com raiva e também.
Se jogou na cama e abraçou “Balu” seu velho ursinho. Vários pensamentos passavam por sua cabeça.
“Porque ele está assim? Nem meu namorado ele é! Será que se namorarmos um dia, ele cobrar mais de mim?”
A porta se abriu.
_ Paulinha? Está dormindo?
_Não, pode entrar Lú.
_ Agente acabou não conversando muito né?
Luciana e Paula eram primas, moravam na mesma cidade mas conversavam mais por computador do que pessoalmente.
Paula sentou-se na cama.
_ Menina! Eu vi o Fábio ontem no casamento! Eu já tinha visto por foto, mas pessoalmente.... maravilhoso!
_É...e ele é bonito sim.
_Ué... que desânimo é esse?
_Discuti com ele agora pouco. Na verdade, desde que cheguei aqui não conseguimos conversar sem brigar.
_Como você consegue brigar com aquele homem perfeito?
_Lú! É sério!
_Tá bom, mas que ele é perfeito, ele é!
_ É, mas se acha dono de mim. Quer que eu fique falando com ele, ligando a todo momento.
_Sei, ele quer que você corra atrás dele, não é?
_É, deve ser... mas é ruim hein que eu corro atrás de homem.
_Ahan, te conheço bem!
_E aí ele fica cheio de mau humor.
Lú cruzou as pernas e continuou prestando atenção.
_Tem coisas que ele não entende. Meu pai regula meus horários e ele quer que eu fique saindo com ele toda hora.
_ Isso tem um nome: diferenças de idade.
_É, pode ser. Acho que talvez isso atrapalhe bastante nosso relacionamento. Às vezes que falo que não posso sair porque meu pai não deixou, ele não acredita! Acha que eu que não estou querendo ir.
_Mas porque seu pai regula tanto assim? A Marina começou a namorar com a mesma idade não foi?
_Ahan! Mas comigo tudo é diferente. A Mari sempre foi a mais responsável da casa. Desde pequena sabia o que queria fazer quando crescer e sempre esteve convicta de suas decisões.
Paula era realmente muito diferente da irmã. Sempre desfrutou dos benefícios de caçula, e era vista ainda por seu pai como uma menininha.
_Meu pai deixou Marina vir pra cá sem pensar duas vezes. Ela sempre foi madura, sempre soube o que queria... agora se eu quisesse vir pra cá... nem precisava pedir, já sei a resposta...
Paula se aborreceu ainda mais. Estava com muitas dúvidas na cabeça. Sua prima Luciana era sua amiga, mas sentiu de Marina, queria conversar com a irmã.
Ela era mais que uma amiga, muitas vezes dava conselhos como uma mãe.

Cap.2

Cap. 2
Quase meia hora depois, Paula estava na frente do shopping esperando, quando se tocou de algo.
“Perai, como vou saber quem é ela. Nunca vi essa garota antes! E se ela já passou por mim e eu não vi...”
Ainda pensava nisso quando viu um carro prata parar, uma garota descer.
_Tchau pai! Praticamente gritou ela.
_Oi Paula!
A menina olhou pra trás pra ver se era com ela mesmo.
_Ei, sou eu Helô.
Dando um beijinho no rosto.
_Como você sabe que eu sou a Paula?
_Ah... eu vi uma foto sua no pc do Fábio. Mas... você é mais bonita pessoalmente.
_Obrigada.
_ Vamos entrando? Já conhece esse shopping?
Heloisa era tão falante quanto no telefone. Era uma garota bonita. Tinha o cabelo um pouco mais claro que de Paula, olhos vibrantes e pequenas sardas no nariz. Lembrava um pouco Fábio.
Compraram a tal sandália de Helô e foram comer um lanche. O papo das duas ia longe. Quem as visse diria que eram amigas de infância.
_Ah Paula, me diz, conseguiu falar com meu irmão?
_Não. E acho que ele está bravo comigo. Prometi que ia ligar pra ele hoje quando acordasse.
_Mas, vocês estão namorando?
_Não! Estamos orando.
_Orando? Helô que não era cristã não entendia bem o que era orar com um rapaz.
_Significa que estamos nos conhecendo, sem nenhum relacionamento, sem nenhum toque físico.
_Que estranho!!! Mas, enfim, se não estão namorando porque toda essa cobrança dele?
_Ai sei lá, acho que ele ficou meio chateado porque eu não dei muita atenção pra ele ontem, mas poxa... era o casamento da minha irmã, eu tinha muito pra fazer.
_Claro...
_E ai, hoje ele passou lá em frente de casa, dizendo que tinha algo pra me contar...
_Ah, eu sei o que é, ele está sendo transferido pra cá. Vai continuar a faculdade aqui...
Helô pôs a mão na boca.
_Aiiii...acho que não era pra eu falar!!!
_É , acho que não era mesmo.
_E agora? Hum.. quando ele te falar, finge que não sabia de nada.
_Difícil.
_Porque?
_Porque não sei mentir.
_Ah, fala sério, todo mundo mente.
_Não estou dizendo que não minto, mas procuro não fazer isso, sei lá é um propósito que fiz... no começo foi bem difícil, mas vai passando o tempo, você acaba se espantando quando mente.
_Você é bem diferente! Mas entendo, meu irmão tem dessas também.
Paula ficou triste por sua nova amiga não ser Cristã, mas neste momento sentiu um desejo enorme de falar de Jesus.
Porém, Paula tinha uma enorme dificuldade que a atormentava à anos: ela tinha vergonha de sair falando para todos os cantos sobre Jesus.
Sentia raiva de si mesma. Via muitos jovens em sua igreja, saindo nos sábados à tarde pelas ruas de sua cidade evangelizando, mas ela simplesmente não tinha coragem de parar uma pessoa na rua e falar de Cristo.
“Oh Deus, sei que estou errada! O Senhor nos diz que temos que ser luz! O senhor sabe das minhas dificuldades, mas só te peço: usa-me!”
Paula fez essa oração silenciosa.
_Oi... ficou muda de repente...
_Ah, desculpe...mas do que falávamos?
_De Fábio!
_Ah... chega de falar de seu irmão, fale-me de você!
_ Ah.. minha vida é horrível!
_Porque???
_Nada acontece! Nada é bom!
_Conta!
_Ai sei lá... eu me sinto meio deixada para trás! Meio atrasada sabe? Eu não tenho muita vida social, muitos amigos...
_Hum...
_É que tipo, as meninas da minha sala, todas ficam com os garotos. E eu não gosto muito disso, quero namorar sabe. Acho meio vulgar. Um dia uma menina está com um, aí no mesmo dia está ficando com outro... eu simplesmente não consigo isso! E também, eles fazem umas festinhas meio estranhas sabe?
_Estranha como?
_Ah, uma música alta, todo mundo bêbado, gritando... eu fui uma vez e não quis ir mais. Aí, o pessoal nem conversa muito comigo. Sou vista como a nerd da sala. As garotas nem falam comigo porque o papo delas é ficar, beber, beijar, e acabo ficando de lado.
_Ah, mas acho que podemos ser amigas! Eu volto pra minha cidade daqui 4 dias, mas de lá podemos conversar pelo computador.
_É... legal... mas seria tão bom se você morasse aqui... seria a primeira vez que eu teria uma amiga de verdade, minha vida não seria tão chata assim!
_Pena mesmo, lá em minha cidade, até tenho amigos, muitos se aproximaram de mim depois do acidente, mas uma amiga bem próxima assim, também não tenho.
_Acidente?
_ O Fábio não falou?
_Ah... agente não conversa com muita freqüência.
_Hum.. então, ano passado, estávamos vindo aqui pra Alvorada, para conhecer minha sobrinha Eduarda que tinha nascido. No meio da viagem, sofremos um baita acidente.O ônibus bateu de frente com um caminhão. Morreu até uma pessoa!
_Nossa!!!
_E eu, que era uma das passageiras que sentava bem lá na frente fiquei bastante ferida, e depois de alguns dias soube que não andaria mais.
_O que? Helô falou alto.
_Foi um choque pra mim também. Passei dias chorando.
_E aí?
_Aí, que Deus em um sonho, falou que eu voltaria a andar. Algum tempo depois, eu estava sentada e de repente, senti minhas pernas novamente.
_Assim do nada?
_Assim do nada! Mas não por acaso! Isso só aconteceu porque Deus quis, porque Ele me ajudou! Quando senti minhas pernas, um monte de médico me observou para ver o que havia acontecido, e eles não entendiam como tinha sido possível. Me disseram, que eu podia fazer fisioterapia em 8 meses, e em cerca de um ano e meio estaria andando com muletas.
_ E foi?
_Não! Em 15 dias eu estava fazendo fisioterapia e em 3 meses eu estava andando sem muletas!
_Caramba! Deus fez isso?
_Não tenho a menor dúvida!
_Poxa, fiquei impressionada com Ele agora. Fábio fala às vezes lá em casa, “desse Deus” mas eu não tinha ouvido nenhuma história assim!
_Ele é maravilhoso!
Paula reparou o semblante de Helô. A garota estava séria e pensativa.
Foi então que Paula percebeu que falou de Deus para alguém! Seu coração acelerou. Ficou muito feliz pois sabia que Deus a havia ajudado!

Cap.1

O relógio marcava 13:34. Paula quis levantar dar um salto da cama, mas seu corpo pedia que tudo fosse realizado vagarosamente.

Lembrou-se que havia ido dormir às 5 horas da manhã no dia anterior, isso justificava as dores por todo lado.

A festa de casamento de sua irmã Marina varou a noite. As três da manhã, os recém casados partiram para lua de mel, Paula, Raquel e algumas tias, ficaram até o final, para se despedir de todos.

A garota sentou-se, tirou o cabelo do rosto e olhou no espelho.

_Credooooo!!!!

Seu cabelo tinha um grande nó nas pontas. O rímel tinha deixado duas manchas grandes embaixo de seus olhos. E apenas uma de suas orelhas estava com brinco.

Lembrou que praticamente desmaiou em cima da cama, pois uma coisa que ela tinha horror era dormir maquiada.

Pegou uma roupa limpa e confortável na mala.

Saiu do quarto e percebeu que poucos ainda dormiam na casa da irmã Raquel.

_Credo tia! Ta horrível!

_Obrigada Laura!

_De nada!

E Laura saiu saltitante.

Paula deu risada com a espontaneidade da sobrinha, a garotinha achava que tinha feito grande favor em dizer que ela estava horrível.

Entrou debaixo da ducha quente e deixou a água escorrer por seu corpo por um longo tempo. Era muito bom sentir a sujeira indo embora. No meio do banho lembrou que ficou de ligar para Fábio assim que acordasse.

A noite anterior tinha sido um pouco turbulenta. Paula tinha ajudado muito na organização do casamento e não teve tempo para conversar com o rapaz. O único momento que sentaram juntos foi durante o jantar, porém, junto a eles estava toda turma.

Quando o rapaz estava saindo do local pediu a ela:

_ Me liga amanhã, assim que acordar.

Ele parecia um pouco bravo. Ela ia questioná-lo mas desistiu.

Paula era bem diferente de Marina. Era explosiva, impaciente, falante. Não sofria muito com as questões, preferia resolvê-las logo.

Um bom tempo depois, ela saiu do chuveiro. Parecia uma nova pessoa.

Dirigiu-se a cozinha onde dona Ana lavava à louça.

_Bom tarde menina!

_Bom tarde! Cadê todo mundo? Eu sai do banho e a casa tava um silêncio.

_Ah.. saíram todos, foram passear um pouco. Só sua tia Rosimara ainda está dormindo.

_Normal, tia Rosinha sempre foi dorminhoca.

_Você quer almoçar?

_Ah não! Quero tomar um bom café da manhã!
_Café da manhã??? Mas já passa de 2 horas da tarde!

_É, mas hoje é um dia especial!

_Verdade, vocês ficaram até tarde na festa.

_5 horas da manhã!

_Eu saí com a Cláudia as 2 hs. Mas estava tudo muito bom! Chorei tanto...

Continuaram conversando enquanto Paula preparava um chocolate quente.

Assim que terminou, pegou a grande xícara com leite e achocolatado, uma porção de pão de queijo quente e se dirigiu para a área da frente da casa. Como estava chuviscando entrou, buscou um agasalho. Voltou, sentou-se na rede e ficou olhando a chuva cair no chão. Ainda dava uma mordida no último pão de queijo quando viu um carro vermelho passar e poucos minutos depois dar a ré. Era Fábio!

Paula foi ao seu encontro, recebeu-o com um largo sorriso. O rapaz mantinha-se sério.

_Fala Fábio!

_Não pedi para você me ligar?

_ O que ia adiantar eu te ligar se você não ia estar em casa....

Ele não riu da piada.

_Tá bom! Me desculpe... esqueci! Acordei agora pouco, mas durante a tarde eu ia te ligar, juro!

_Mas eu pedi pra ligar quando acordasse, Paula! Queria te contar uma coisa muito legal.

_Ok, então conte!
_Agora não, quem sabe mais tarde...

Ele deu um beijo no rosto dela e saiu cantando pneu.

Paula simplesmente não entendeu nada. Ficou parada olhando o carro ir embora.

_Eu hein...

Ela ficou irritada com o rapaz, mas entrou em casa e algum tempo depois já tinha esquecido o ocorrido.

No resto da tarde o sol se abriu. Paula estava muito bem disposta e não conseguia ficar muito tempo parada. Desejava sair mais não conhecia muito aquela cidade.

Insistiu para que uma das primas saísse com ela, mas esta havia acabado de chegar junto com os outros familiares e não aceitou o convite.

A garota se contentou em ficar sentada na sala, conversando com as tias. Em certo momento lembrou-se novamente de Fábio. Foi até o quarto em que estava acomodada e ligou para o rapaz.

O telefone tocou inúmeras vezes, quando Paula estava quase desistindo, uma voz feminina atendeu:

_Alô!

_Oi, é da casa do Fábio?

_É!

_ E ele está?

_Não, saiu... quem é?

_ Paula.

_Ah.... A Paula... sei... aqui é a irmã dele, Heloísa, mas pode me chamar de Helô, todo mundo me chama assim!

_Legal!

_Então, ele saiu faz tempo, foi na casa do Arthur.

_Ok!

Heloisa puxou maior papo com Paula, perguntou várias coisas. A princípio Paula ficou espantada com a futura cunhada falante. Mas em minutos estavam conversando como velhas amigas. O jeito de Heloisa era contagiante, tinham a mesma idade e o mesmo papo.

_Bom Helô, vou indo.

_ Ok. Tenho que desligar também, vou dar uma saída! Aliás... o que vai fazer agora?

_Ah... to sem nada para fazer!

_Vamos comigo ao shopping, to a fim de comprar uma rasteirinha linda que vi lá.

_Ah, beleza! Vou só avisar meu pai.

_Ok. Nos encontramos lá em frente?

_Em 20 minutos!