segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Cap.5

Correu os olhos pelo destinatário e se esforçou para lembrar quem era “isaquenogueira”. Abriu a mensagem e de imediato lembrou de seu amigo de infância:

Oi Paulinha!!! Ou deveria dizer Paulita marmita? A garota riu de seu apelido de infância que ela tanto odiava.
Estou escrevendo e desta vez não é para te mandar aqueles famosos e-mails com piadinhas ou propagandas.
Realmente, quando o rapaz lhe mandava e-mails não eram muito interessantes. Continuou a ler:

Como você está? O que anda fazendo? Eu tenho uma novidade!!!! Estou voltando para Alvorada final do ano!!! Meu pai vai voltar a pastoriar aí!!!! Você ajuda a me inturmar? Nossa... faz tanto tempo que saí daí que a única pessoa que ainda tenho contato é você! Acredito inclusive que vamos estudar juntos ano que vem.

Isaque era filho de um pastor amigo de seu pai.Cresceram juntos mas se mudou com o pai aos 9 anos.

Chego em Dezembro, ou seja, daqui 4 meses. Me ajuda? Beijos menina!!!

Paula ficou feliz. Gostava demais daquele amigo! Perdera o contato, mas seria bom te-lo por perto já que não tinha muitos amigos.
Correu para sala e contou a novidade ao pai.
Alguns dias depois Paula voltava à escola. Viu de longe sua colega de sala chegando. Mel não era bem uma amiga, uma confidente, era uma parceira de trabalhos, de provas.
_Oi Paula, como você está?
_ To bem e você? Como foi de férias?
_ Ah.. mesma coisa, acredita que não sai de casa? E Você?
_Fui para o casamento da minha irmã em Ribeirãozinho.
_Ahh... verdade, você comentou.
Entraram em silêncio.
Paula não estava nem um pouco animada para as aulas do dia.
Enquanto via todo mundo se cumprimentando com euforia deitou na carteira desejando estar em sua cama.
Mel virou-se:
_Ei... como foi com o Flávio?
_Quem?
_Seu namorado de Ribeirãozinho.
_Ahh... Fábio... ele não é meu namorado.
_Não?
_Não... estamos conversando, nos conhecendo...
_Que ânimo é esse?
_ Ah... vamos ver o que vai dar essa história...
Paula ficou com a consciência pesada, não gostaria que Fábio falasse assim dela.
Chegou da aula e Teca preparava o almoço. Deu um beijo na senhora e foi para seu quarto tirar um cochilo. Quando acordou, lembrou-se que ainda não havia respondido Isaque. Ligou o computador mas a fome fez com que ela corresse para a cozinha saborear as delícias de Teca.
Depois do almoço, com a barriga cheia, respondeu o rapaz:

Isaque tatu bolinha!!! A garota se vingou falando o apelido dele.
Lembra que te chamavamos assim porque você amava jogar bola no campinho de barro e voltava com terra até nos cabelos?
Eee... infância boa...
Mas que notícia maravilhosa você me deu!!!! Poxa... claro que te ajudo... para falar a verdade não tenho muitos amigos na escola, porque é escola nova. Estou estudando no Albert Eistein porque comecei o segundo grau e meu pai queria que eu fosse para uma escola particular. Os nossos amigos de infância continuam no Monsenhor Vieira, nossa velha escola, mas perdi o contato com eles.
Vou te esperar hein, vai ser muito bom te ter como amigo novamente.

Quando a garota tinha acabado de enviar o e-mail o telefone tocou:
_ Alô.
_Paula?
_Sim... quem é?
_ Helô!!!
_Amigaaa... que bom que você ligou.
_Está com saudade né?
_Pior que estou... ai...hoje começou a aula, queria que você morasse aqui.
_As minhas também começaram hoje!!! Por isso que te liguei, mas vou ter que falar rápido porque esse hórario é carissima a ligação.
_Ahan... conta...
_Ai menina, lembra do César que te falei?
_Ih... não to lembrando...
_Acho que nem te falei dele... mas é porque não tinha chance nenhuma... bom achei que não tinha, mas hoje eu cheguei na escola e esbarramos um no outro. Nossos cadernos caíram e abaixamos para pegar igual cena de filme.
Paula tentava raciocinar rápido tentando imaginar.
_Então levantamos e ele passou a mão nos meus cabelos e falou “você cortou?” E eu: Sim... E ele: nossa e eu que não imaginava que você pudesse ficar mais bonita...estava errado...
_ Uau...
_Eu quase morri amiga, juro que fiquei parada no lugar e só fui recuperar meu fôlego quando bateu o sinal. Ele é o ruivinho mais lindo do mundo. Ainda estou sonhando com aquelas sardas fofas.
_ Que legal amiga, ele é da sua sala?
A garota não respondeu, parecia estar brigando com alguém.
_Paula depois nos falamos o Fábio está me enchendo, fala com ele:
_ Oi menina!!
_ Ah... oi...
_ Ligou para a Helô e nem me chamou?
_ Ah.. não, foi ela que me ligou...
_Hum.. to com saudade sabia...
Paula torceu para ele não perguntar se ela sentia o mesmo.
_ Ah Paulinha... tenho uma novidade, mas é surpresa...
_Poxa... conta vai...
_ Tá, eu não ia aguentar sem contar mesmo... Tô vendo um carro para comprar.
_ Nossa Fábio, que legal!
_ Tem sido um pouco ruim ir todo dia para faculdade de ônibus ou a pé, então vou comprar um pra mim.
_Parabéns! Fiquei feliz em saber.
_ Aí vou te ver, pelo menos uma vez a cada dois meses e levar a chata da Heloisa que já está falando que vai junto.
Paula gostou da idéia.
Desligaram e ela voltou ao computador.
Isaque já havia respondido. Agora enchia-a de perguntas.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Cap.4

Uma semana depois Paula organizava sua mala para retornar a sua casa.
Marina voltara de lua-de-mel mas a garota só viu a irmã numa rápida visita que fez a seu apartamento.
Agora em seu quarto Paula conversava com sua amiga:
_Porque quando estamos voltando de uma viagem a mala parece que encolheu?
Heloisa riu.
_Verdade, deve ser porque quando estamos indo viajar está tudo muito organizado, dobrado...
Paula olhou a bagunça de sua mala, com roupas amassadas e deu risada.
_ Poxa... ainda não acredito que você vai embora. Não acredito!
As duas haviam se tornado grandes amigas. Em menos de dez dias de amizade pareciam ser amigas de infância.
_ Ah... para, pra que serve internet? Vamos nos falar todo dia.
_Não é a mesma coisa... não vamos poder sair juntas, dar risadas...
_ É verdade, mas você pode fazer isso com suas amigas aqui, sei que vai me esquecer rapidamente.
_Para de ser boba, você sabe que não tenho muitas amigas. As meninas da escola são todas umas chatas, todas patricinhas, cheias de frescura.
_ Tadinhas... é fácil você fazer amizade com elas, é só chama-las para jogar bola com você.
Heloisa riu:
_Ah ta... elas vao ficar morrendo de medo de quebrar a unha.
E era verdade, enquanto a garota era toda desenibida, atleta, as colegas de sala eram muito preocupadas com a beleza.
_Vai, me ajuda aqui. Senta em cima da mala que eu fecho o ziper.
Essa manobra fez com que as duas dessem muitas risadas.
_Ahh... menina.... ia quase me esquecendo... o Fábio ia me matar!
_ O que?
Heloisa tirou da bolsa um pequeno embrulho.
_ Ele te mandou.
Paula abriu rapidamente e tirou um pequeno chaveiro de ursinho que tinha no peito. “Dios te bendiga.”
_ Que fofo!
Ela pegou e colocou no ziper da mala.
Depois da última briga os dois sairam mais duas vezes. A primeira ficaram um bom tempo em silêncio, mas logo conseguiram estabelecer um bom papo.
A segunda vez conversaram bastante e até conseguiram dar risadas de piadinhas e brincadeiras bobas. O rapaz não estava com a agressividade e o mal humor que assustavam Paula.
_E aí, vai sentir falta do meu irmão?
Paula sabia que sentiria mais falta da amiga do que do rapaz, mas ficou com receio de falar isso pois afinal, ela era irmã dele.
_Ihh.... pela demora na resposta não tá nem ai pra ele.. Pode falar, não é porque ele é meu irmão que você tem que me esconder as coisas.
Às vezes parecia que a garota podia ler a mente da outra.
_ Ah Helô, vou sentir saudade, mas não falta. Não ficamos grudados aqui, não vi ele todo dia, então acredito que não vou sentir muito não.
_Ahan, entendo, mas acho que ele está mais na sua do que você na dele.
_ É que quando eu era mais nova, não via a hora de namorar, agora que posso, e até tenho a pessoa, não sei se quero, talvez seja melhor esperar...
_ E o que você vai fazer?
_Orar.
Bateram na porta.
_Oi... pode entrar.
_Filha... Oi Heloisa tudo bem?
_Oi tudo!
_Filha, se apressa aí que vamos para o aeroporto em uma hora.
_Ok pai... está quase tudo pronto.
O pai saiu e ela terminou a arrumação.
_ Que horas você chega lá?
_Ah... de avião, em duas horas estamos lá. Eu fiquei traumatizada com aquela viagem que fiz de ônibus. Hoje pra mim é muito dificil entrar em um.
As amigas se abraçaram e se despediram.
_Ah... vamos lá no aeroporto.
_Num dá amiga, eu choro..
Deram risadas, e Paula e o pai partiram.
No aeroporto se encontraram com Daniel e Marina.
_Paizinho. Como queria que o senhor morasse aqui.
O pai tocou o rosto de Marina e olhou por um bom tempo como se tirasse uma fotografia com os olhos. Depois abraçou-a fortemente e dirigiu-se a Daniel:
_Cuida da minha filhinha.
_Cuido sim!
Se abraçaram.
_Filhinha pai? Mas já sou uma mulher casada.
_ Ahh... mas pra mim vocês todas serão sempre minhas filhinhas. Você vai ver quando tiver seus filhos.
Daniel e Marina deram risada.
_Falando nisso, nao demorem hein, estou doido para ter um neto homem.
_ Ahhh paizinho, pode tomar chazinho de paciência, eu o Daniel queremos ao menos terminar a faculdade, e eu quero fazer a residência... então, no mínimo três anos pela frente.
_Eu sei querida... papai está só brincando.
Marina sabia que as brincadeiras do pai tinha sempre um fundo de verdade.
As irmãs se abraçaram.
_Pai, deixa a Paula vir pra cá final do ano passar as férias comigo.
_Você acha que eu tenho uma piscina de dinheiro?
Riram.
_ Ah pai... eu junto dinheiro!!!
_Você quer dizer o meu dinheiro né Paula?
_Falando nisso, passou da hora da senhorita arrumar um emprego hein.
Marina deu a sugestão.
_Então vamos fazer assim, quando chegar em Alvorada vou atrás de um emprego, se eu conseguir e juntar dinheiro venho pra cá, pode ser? Pode paizinho?
_Vou pensar...
Pegaram as bagagens e partiram.
Duas horas e quinze minutos depois estavam descendo do avião já na cidade de Alvorada.
Paula estava com um pouco de dor de cabeça por causa da viagem.
Chegaram em sua casa e a garota correu para o quarto, queria dormir um pouco.
Quando acordou estava bem melhor. Olhou pela janela e já escurecia. Encarou a mala mas resolveu desfaze-la só no outro dia. Pegou em cima da cômoda um calendário.
_Poxa só mais quatro dias.
Era o que lhe restava de férias.
_Filha vem cá.
O Pai estava na cozinha com seu avental.
_Vou fazer um lanchinho para nós? Tá com fome?
_Só um pouco. A Teca volta quando?
_Amanhã.
Teca cuidava da casa. Era mais que uma diarista, era como se fosse uma vozinha que cuidava da casa desde que eram pequenas. Quando ela não estava o pai inventava lanches mirabolantes.
Paula tomou rápido banho e devorou o sanduiche de peito de peru.
Já com seu pijama se dirigiu para o pequeno escritório e ligou o computador. Quase 10 dias sem abri-lo viu que seu e-mail tinha muitas mensagens. Apagou as propagandas, leu os 2 emails de Fábio dizendo que estava com saudade. Heloisa também tinha lhe escrito. Quando se preparava para apagar mais uns, reparou numa mensagem antiga, que não havia sido lida.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Cap.3

Cap. 3
A tarde com sua quase cunhada foi muito agradável. O mesmo não aconteceu com a conversa com Fábio no telefone.
Ele reclamou da ausência da garota.
_Você não tem razão no que diz! Foram dias em que eu tinha um monte de coisa pra fazer, eu não estava a toa.
_Eu sei Paula, mas eu queria conversar contigo, esperei muito por isso, é tão melhor te ver pessoalmente e não pela tela do computador.
Paula ficou em silêncio.
_ Mas vamos parar com essa discussão! O que acha de sairmos para comer um lanche?
_Ai Fábio... acho que não vai dar. Saí a tarde toda, meu pai não vai deixar eu sair de novo. Ah... inclusive conheci sua irmã.
O rapaz não esboçou grandes reações.
_ Legal. Bom, vou desligar, já que você não quer sair comigo, vou sair pra comer com algum amigo.
_Não é que não quero, não posso!
_Tchau.
E Fábio desligou. Paula sentiu a sua face avermelhar-se. Ficou com raiva e também.
Se jogou na cama e abraçou “Balu” seu velho ursinho. Vários pensamentos passavam por sua cabeça.
“Porque ele está assim? Nem meu namorado ele é! Será que se namorarmos um dia, ele cobrar mais de mim?”
A porta se abriu.
_ Paulinha? Está dormindo?
_Não, pode entrar Lú.
_ Agente acabou não conversando muito né?
Luciana e Paula eram primas, moravam na mesma cidade mas conversavam mais por computador do que pessoalmente.
Paula sentou-se na cama.
_ Menina! Eu vi o Fábio ontem no casamento! Eu já tinha visto por foto, mas pessoalmente.... maravilhoso!
_É...e ele é bonito sim.
_Ué... que desânimo é esse?
_Discuti com ele agora pouco. Na verdade, desde que cheguei aqui não conseguimos conversar sem brigar.
_Como você consegue brigar com aquele homem perfeito?
_Lú! É sério!
_Tá bom, mas que ele é perfeito, ele é!
_ É, mas se acha dono de mim. Quer que eu fique falando com ele, ligando a todo momento.
_Sei, ele quer que você corra atrás dele, não é?
_É, deve ser... mas é ruim hein que eu corro atrás de homem.
_Ahan, te conheço bem!
_E aí ele fica cheio de mau humor.
Lú cruzou as pernas e continuou prestando atenção.
_Tem coisas que ele não entende. Meu pai regula meus horários e ele quer que eu fique saindo com ele toda hora.
_ Isso tem um nome: diferenças de idade.
_É, pode ser. Acho que talvez isso atrapalhe bastante nosso relacionamento. Às vezes que falo que não posso sair porque meu pai não deixou, ele não acredita! Acha que eu que não estou querendo ir.
_Mas porque seu pai regula tanto assim? A Marina começou a namorar com a mesma idade não foi?
_Ahan! Mas comigo tudo é diferente. A Mari sempre foi a mais responsável da casa. Desde pequena sabia o que queria fazer quando crescer e sempre esteve convicta de suas decisões.
Paula era realmente muito diferente da irmã. Sempre desfrutou dos benefícios de caçula, e era vista ainda por seu pai como uma menininha.
_Meu pai deixou Marina vir pra cá sem pensar duas vezes. Ela sempre foi madura, sempre soube o que queria... agora se eu quisesse vir pra cá... nem precisava pedir, já sei a resposta...
Paula se aborreceu ainda mais. Estava com muitas dúvidas na cabeça. Sua prima Luciana era sua amiga, mas sentiu de Marina, queria conversar com a irmã.
Ela era mais que uma amiga, muitas vezes dava conselhos como uma mãe.

Cap.2

Cap. 2
Quase meia hora depois, Paula estava na frente do shopping esperando, quando se tocou de algo.
“Perai, como vou saber quem é ela. Nunca vi essa garota antes! E se ela já passou por mim e eu não vi...”
Ainda pensava nisso quando viu um carro prata parar, uma garota descer.
_Tchau pai! Praticamente gritou ela.
_Oi Paula!
A menina olhou pra trás pra ver se era com ela mesmo.
_Ei, sou eu Helô.
Dando um beijinho no rosto.
_Como você sabe que eu sou a Paula?
_Ah... eu vi uma foto sua no pc do Fábio. Mas... você é mais bonita pessoalmente.
_Obrigada.
_ Vamos entrando? Já conhece esse shopping?
Heloisa era tão falante quanto no telefone. Era uma garota bonita. Tinha o cabelo um pouco mais claro que de Paula, olhos vibrantes e pequenas sardas no nariz. Lembrava um pouco Fábio.
Compraram a tal sandália de Helô e foram comer um lanche. O papo das duas ia longe. Quem as visse diria que eram amigas de infância.
_Ah Paula, me diz, conseguiu falar com meu irmão?
_Não. E acho que ele está bravo comigo. Prometi que ia ligar pra ele hoje quando acordasse.
_Mas, vocês estão namorando?
_Não! Estamos orando.
_Orando? Helô que não era cristã não entendia bem o que era orar com um rapaz.
_Significa que estamos nos conhecendo, sem nenhum relacionamento, sem nenhum toque físico.
_Que estranho!!! Mas, enfim, se não estão namorando porque toda essa cobrança dele?
_Ai sei lá, acho que ele ficou meio chateado porque eu não dei muita atenção pra ele ontem, mas poxa... era o casamento da minha irmã, eu tinha muito pra fazer.
_Claro...
_E ai, hoje ele passou lá em frente de casa, dizendo que tinha algo pra me contar...
_Ah, eu sei o que é, ele está sendo transferido pra cá. Vai continuar a faculdade aqui...
Helô pôs a mão na boca.
_Aiiii...acho que não era pra eu falar!!!
_É , acho que não era mesmo.
_E agora? Hum.. quando ele te falar, finge que não sabia de nada.
_Difícil.
_Porque?
_Porque não sei mentir.
_Ah, fala sério, todo mundo mente.
_Não estou dizendo que não minto, mas procuro não fazer isso, sei lá é um propósito que fiz... no começo foi bem difícil, mas vai passando o tempo, você acaba se espantando quando mente.
_Você é bem diferente! Mas entendo, meu irmão tem dessas também.
Paula ficou triste por sua nova amiga não ser Cristã, mas neste momento sentiu um desejo enorme de falar de Jesus.
Porém, Paula tinha uma enorme dificuldade que a atormentava à anos: ela tinha vergonha de sair falando para todos os cantos sobre Jesus.
Sentia raiva de si mesma. Via muitos jovens em sua igreja, saindo nos sábados à tarde pelas ruas de sua cidade evangelizando, mas ela simplesmente não tinha coragem de parar uma pessoa na rua e falar de Cristo.
“Oh Deus, sei que estou errada! O Senhor nos diz que temos que ser luz! O senhor sabe das minhas dificuldades, mas só te peço: usa-me!”
Paula fez essa oração silenciosa.
_Oi... ficou muda de repente...
_Ah, desculpe...mas do que falávamos?
_De Fábio!
_Ah... chega de falar de seu irmão, fale-me de você!
_ Ah.. minha vida é horrível!
_Porque???
_Nada acontece! Nada é bom!
_Conta!
_Ai sei lá... eu me sinto meio deixada para trás! Meio atrasada sabe? Eu não tenho muita vida social, muitos amigos...
_Hum...
_É que tipo, as meninas da minha sala, todas ficam com os garotos. E eu não gosto muito disso, quero namorar sabe. Acho meio vulgar. Um dia uma menina está com um, aí no mesmo dia está ficando com outro... eu simplesmente não consigo isso! E também, eles fazem umas festinhas meio estranhas sabe?
_Estranha como?
_Ah, uma música alta, todo mundo bêbado, gritando... eu fui uma vez e não quis ir mais. Aí, o pessoal nem conversa muito comigo. Sou vista como a nerd da sala. As garotas nem falam comigo porque o papo delas é ficar, beber, beijar, e acabo ficando de lado.
_Ah, mas acho que podemos ser amigas! Eu volto pra minha cidade daqui 4 dias, mas de lá podemos conversar pelo computador.
_É... legal... mas seria tão bom se você morasse aqui... seria a primeira vez que eu teria uma amiga de verdade, minha vida não seria tão chata assim!
_Pena mesmo, lá em minha cidade, até tenho amigos, muitos se aproximaram de mim depois do acidente, mas uma amiga bem próxima assim, também não tenho.
_Acidente?
_ O Fábio não falou?
_Ah... agente não conversa com muita freqüência.
_Hum.. então, ano passado, estávamos vindo aqui pra Alvorada, para conhecer minha sobrinha Eduarda que tinha nascido. No meio da viagem, sofremos um baita acidente.O ônibus bateu de frente com um caminhão. Morreu até uma pessoa!
_Nossa!!!
_E eu, que era uma das passageiras que sentava bem lá na frente fiquei bastante ferida, e depois de alguns dias soube que não andaria mais.
_O que? Helô falou alto.
_Foi um choque pra mim também. Passei dias chorando.
_E aí?
_Aí, que Deus em um sonho, falou que eu voltaria a andar. Algum tempo depois, eu estava sentada e de repente, senti minhas pernas novamente.
_Assim do nada?
_Assim do nada! Mas não por acaso! Isso só aconteceu porque Deus quis, porque Ele me ajudou! Quando senti minhas pernas, um monte de médico me observou para ver o que havia acontecido, e eles não entendiam como tinha sido possível. Me disseram, que eu podia fazer fisioterapia em 8 meses, e em cerca de um ano e meio estaria andando com muletas.
_ E foi?
_Não! Em 15 dias eu estava fazendo fisioterapia e em 3 meses eu estava andando sem muletas!
_Caramba! Deus fez isso?
_Não tenho a menor dúvida!
_Poxa, fiquei impressionada com Ele agora. Fábio fala às vezes lá em casa, “desse Deus” mas eu não tinha ouvido nenhuma história assim!
_Ele é maravilhoso!
Paula reparou o semblante de Helô. A garota estava séria e pensativa.
Foi então que Paula percebeu que falou de Deus para alguém! Seu coração acelerou. Ficou muito feliz pois sabia que Deus a havia ajudado!

Cap.1

O relógio marcava 13:34. Paula quis levantar dar um salto da cama, mas seu corpo pedia que tudo fosse realizado vagarosamente.

Lembrou-se que havia ido dormir às 5 horas da manhã no dia anterior, isso justificava as dores por todo lado.

A festa de casamento de sua irmã Marina varou a noite. As três da manhã, os recém casados partiram para lua de mel, Paula, Raquel e algumas tias, ficaram até o final, para se despedir de todos.

A garota sentou-se, tirou o cabelo do rosto e olhou no espelho.

_Credooooo!!!!

Seu cabelo tinha um grande nó nas pontas. O rímel tinha deixado duas manchas grandes embaixo de seus olhos. E apenas uma de suas orelhas estava com brinco.

Lembrou que praticamente desmaiou em cima da cama, pois uma coisa que ela tinha horror era dormir maquiada.

Pegou uma roupa limpa e confortável na mala.

Saiu do quarto e percebeu que poucos ainda dormiam na casa da irmã Raquel.

_Credo tia! Ta horrível!

_Obrigada Laura!

_De nada!

E Laura saiu saltitante.

Paula deu risada com a espontaneidade da sobrinha, a garotinha achava que tinha feito grande favor em dizer que ela estava horrível.

Entrou debaixo da ducha quente e deixou a água escorrer por seu corpo por um longo tempo. Era muito bom sentir a sujeira indo embora. No meio do banho lembrou que ficou de ligar para Fábio assim que acordasse.

A noite anterior tinha sido um pouco turbulenta. Paula tinha ajudado muito na organização do casamento e não teve tempo para conversar com o rapaz. O único momento que sentaram juntos foi durante o jantar, porém, junto a eles estava toda turma.

Quando o rapaz estava saindo do local pediu a ela:

_ Me liga amanhã, assim que acordar.

Ele parecia um pouco bravo. Ela ia questioná-lo mas desistiu.

Paula era bem diferente de Marina. Era explosiva, impaciente, falante. Não sofria muito com as questões, preferia resolvê-las logo.

Um bom tempo depois, ela saiu do chuveiro. Parecia uma nova pessoa.

Dirigiu-se a cozinha onde dona Ana lavava à louça.

_Bom tarde menina!

_Bom tarde! Cadê todo mundo? Eu sai do banho e a casa tava um silêncio.

_Ah.. saíram todos, foram passear um pouco. Só sua tia Rosimara ainda está dormindo.

_Normal, tia Rosinha sempre foi dorminhoca.

_Você quer almoçar?

_Ah não! Quero tomar um bom café da manhã!
_Café da manhã??? Mas já passa de 2 horas da tarde!

_É, mas hoje é um dia especial!

_Verdade, vocês ficaram até tarde na festa.

_5 horas da manhã!

_Eu saí com a Cláudia as 2 hs. Mas estava tudo muito bom! Chorei tanto...

Continuaram conversando enquanto Paula preparava um chocolate quente.

Assim que terminou, pegou a grande xícara com leite e achocolatado, uma porção de pão de queijo quente e se dirigiu para a área da frente da casa. Como estava chuviscando entrou, buscou um agasalho. Voltou, sentou-se na rede e ficou olhando a chuva cair no chão. Ainda dava uma mordida no último pão de queijo quando viu um carro vermelho passar e poucos minutos depois dar a ré. Era Fábio!

Paula foi ao seu encontro, recebeu-o com um largo sorriso. O rapaz mantinha-se sério.

_Fala Fábio!

_Não pedi para você me ligar?

_ O que ia adiantar eu te ligar se você não ia estar em casa....

Ele não riu da piada.

_Tá bom! Me desculpe... esqueci! Acordei agora pouco, mas durante a tarde eu ia te ligar, juro!

_Mas eu pedi pra ligar quando acordasse, Paula! Queria te contar uma coisa muito legal.

_Ok, então conte!
_Agora não, quem sabe mais tarde...

Ele deu um beijo no rosto dela e saiu cantando pneu.

Paula simplesmente não entendeu nada. Ficou parada olhando o carro ir embora.

_Eu hein...

Ela ficou irritada com o rapaz, mas entrou em casa e algum tempo depois já tinha esquecido o ocorrido.

No resto da tarde o sol se abriu. Paula estava muito bem disposta e não conseguia ficar muito tempo parada. Desejava sair mais não conhecia muito aquela cidade.

Insistiu para que uma das primas saísse com ela, mas esta havia acabado de chegar junto com os outros familiares e não aceitou o convite.

A garota se contentou em ficar sentada na sala, conversando com as tias. Em certo momento lembrou-se novamente de Fábio. Foi até o quarto em que estava acomodada e ligou para o rapaz.

O telefone tocou inúmeras vezes, quando Paula estava quase desistindo, uma voz feminina atendeu:

_Alô!

_Oi, é da casa do Fábio?

_É!

_ E ele está?

_Não, saiu... quem é?

_ Paula.

_Ah.... A Paula... sei... aqui é a irmã dele, Heloísa, mas pode me chamar de Helô, todo mundo me chama assim!

_Legal!

_Então, ele saiu faz tempo, foi na casa do Arthur.

_Ok!

Heloisa puxou maior papo com Paula, perguntou várias coisas. A princípio Paula ficou espantada com a futura cunhada falante. Mas em minutos estavam conversando como velhas amigas. O jeito de Heloisa era contagiante, tinham a mesma idade e o mesmo papo.

_Bom Helô, vou indo.

_ Ok. Tenho que desligar também, vou dar uma saída! Aliás... o que vai fazer agora?

_Ah... to sem nada para fazer!

_Vamos comigo ao shopping, to a fim de comprar uma rasteirinha linda que vi lá.

_Ah, beleza! Vou só avisar meu pai.

_Ok. Nos encontramos lá em frente?

_Em 20 minutos!